De cor(ação)

Aquele que sabe de cor
O meu coração
E de coração enxerga a cor,
a forma e o som
de um pensamento meu
E conhece em mim
o que a mim é desconhecido
Sabe de cor o que sou,
o que fui e vou ser
Este meu falso pisar
já lhe era sabido
antes mesmo da vida
nos pulmões me soprar
E ainda me ama
E ainda me cuida
Sempre de coração.
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Permita-se (na TPM)

A TPM ataca a mulherada pelo mundo afora somente uma vez ao mês, mas essa uma vez já é suficiente para causar bastante estrago. E isso eu digo por experiência própria. Com o passar dos anos, aprendi a me permitir algumas ações e prazeres amenizadores de toda essa tensão. Segue abaixo a lista e veja se algum dos itens pode ser aplicado ao seu caso.
1. Eu me permito dormir mais. Se eu puder, claro. Mas tentar dormir mais cedo já ajuda muito. Dormindo pouco, fico mais mal-humorada. Já fico mal-humorada naturalmente com TPM, imagine se eu subtrair horas de sono da lista? É desastre na certa.
2. Eu me permito comer aquilo dá vontade. De fato, isso é péssimo e sabota qualquer dieta. Mas, veja bem, com hormônio e TPM não se brinca. Deu vontade, mate-a rapidamente, para que ela possa desaparecer da cabeça. Não precisa ser aquela extrapolada culinária também. Me permito comer 1 triângulo de toblerone (que é uma coisa absurdamente calórica inventada pelo capeta), por exemplo, assim eu não corro o risco de sair cometendo homicídios dolosos por aí. Algumas calorias a mais fazem valer a pena.
3. Eu me permito chorar. Essa é muito importante. Durante a TPM, é normal ficar super sensível e vulnerável. É normal assistir propaganda da Qualy e ficar com vontade de chorar. Caso você fique segurando demais esse ímpeto, é capaz de ir ficando cada vez mais sensível até que alguém solte uma frase do tipo “Você não devia comer isso” e aí já era: o chororô vai durar uma noite. Para evitar desgastes emocionais com as pessoas ao meu redor, eu me permito chorar em coisas menos importantes, como filmes bem água com açúcar ou com algum apelo emocional, até que passe aquele ímpeto de sensibilidade e eu consiga manter novamente uma conversa civilizada. Chorar durante o filme pode ser a solução para os seus problemas, acredite em mim.
Esses são alguns dos meus itens. E você, tem algum ritual tepeêmico que te ajuda a não se transformar no incrível hulk?
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Cego?
El amor, a quien pintan ciego, es vidente y perspicaz porque el amante ve cosas que el indiferente no ve y por eso ama.
José Ortega y Gasset
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Sobre meninas e casas
Eu tenho uma irmã mais nova que sabe bastante de mim. Mais do que muitas vezes eu gostaria. E às vezes menos. Mas na maioria das vezes ela sabe bem. Coisa de meninas de idade próxima. Coisa de irmãs próximas também.
Como uma futura psicóloga, ela adora me fazer de cobaia para seus testes e análises (o que eu acredito não ser muito bem visto, já que ela é minha irmã e um psicólogo não pode tratar amigos e familiares). Mas é tudo muito sem compromisso, e eu confesso que esse negócio de se auto-conhecer melhor através de análise muito me atrai.
Então minha irmã disse que iria fazer um teste novo comigo, no qual ela analisaria desenhos meus. Eu topei. Desenhar é comigo.
Primeiro, instruções bem precisas: desenhe uma casa, da forma que lhe aprouver. Pensei por uns momentos numa casa que valeria a pena desenhar. Pensei numa foto que vi numa revista de decoração e construção uma vez e revivi a sensação de desejar uma igual. Revivi a sensação gostosa de quem sonha em construir não só uma casa, mas um futuro. A partir desse pensamento, que não durou mais que uma fração de segundo, eu já sabia que iria desenhar a casa onde eu gostaria de morar. Comecei pela rua, o asfalto e suas faixas amarelas. O canteiro na calçada onde ficava um ipê cor-de-rosa vibrante. E uma casinha de dois andares, geminada e com tijolinhos à vista, começou a surgir no traçado. Janelas grandes e de vidro, com cortinas azuis e uma imponente porta vermelha. Só me esqueci da garagem. Bem, mas já que estamos falando de uma casa idealizada, creio poder assumir que o transporte público era o ideal também. Portanto, esqueçamos o carro e a garagem.
Engraçado é que o objeto desenho é sempre você, independente do teste. Eu sou minha casa. E mais: sou a casa do meu futuro, o que seria um traço de ansiedade. Verdade, admito. Não vou escrever aqui todas as coisas que ela me disse. Acho muito pessoal, até mesmo porque achei que as coisas que ela me disse faziam sentido demais pro meu gosto. Mas é bom entender como tenho construído minha casa. Não pude levar o desenho, então fiquei com vontade de compartilhar em palavras e, assim, construir uma imagem mental novamente da casa. E de mim, claro.
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Que bom chegar ao nosso lugar
Que bom voltar
De novo, encontrar, beijar você, rever você
Risos e abraços sem fim
Dia de sol
Te ver é como um rio no verão, é carnaval
Festa, eterno reveillon
Você me faz tão feliz…
É bom chegar
E ver as nossas coisas no lugar, esse lugar
Estava esperando por nós
Você me faz tão feliz
Que bom voltar
Que bom te ver
Que bom chegar
Ao nosso lugar
Que bom voltar, de Ed Motta
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Sobretudo quando chove

Se apenas uma escolha me restasse,
eu levaria o pôr-do-sol,
ou se uma só herança me bastasse,
um rouxinol
que cantasse a dor das distâncias
e curasse essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.
Se toda a poesia, numa palavra,
eu ficaria com “jardim”
e, um tipo só de arbusto ali se lavra,
o alecrim,
concentrando o cheiro do longe,
acalmando essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.
E chove, e chove, chove sem parar,
enquanto eu canto, canto,
ao te esperar.
Se cada vez que eu penso no teu rosto,
vento virasse um vendaval,
desabaria o céu com muito gosto,
que temporal!
Tormenta no mar da memória,
rimando com essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.
“Sobretudo quando chove”, de Gerson Borges
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Não é tão fácil ser verde…
Às vezes você não se sente verde também?
“Being Green” (Ser Verde) – interpretado por Caco, o sapo.
Não é tão fácil ser verde
Ter que passar todos os dias da cor das folhas
Quando eu penso que poderia ser mais legal
Ser vermelho ou amarelo ou dourado
Ou algo bem mais colorido assim
Não é fácil ser verde
Parece que você se mistura à paisagem de tantas outras coisas sem importância
E as pessoas tendem a passar batido por você
Porque você não se destaca como o faíscas brilhantes na água
ou como as estrelas no céu
Mas o verde é a cor da primavera
E verde pode ser bem legal e amigável
E verde pode ser grande como um oceano
Ou importante como uma montanha
Ou alto como uma árvore
Quando verde é tudo o que se tem pra ser,
Isso pode te fazer pensar no porque
Mas por que pensar? Por que pensar?
Eu sou verde, e vai ser ótimo desse jeito
É lindo!
E eu acho que é isso que eu quero ser.
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Retomar é preciso. Com as devidas alterações, please enjoy.
Certa vez, andando sozinha por um bosque, encontrei um pássaro que falava. Sim, pode parecer a coisa mais absurda, mas este pássaro falava mesmo. E não era um papagaio bem treinado. Ainda procurei minha câmera digital para tentar registrar o encontro fabuloso e, em um ímpeto egoísta, ainda pensei nas cifras que poderia ganhar com um pássaro daqueles! Mas, ainda bem, o ímpeto logo passou.
Era um pássaro pequeno, um pardal. Mas não era um pardal qualquer, desses que a gente vê em qualquer lugar. Era diferente. Disse que era um Pardal de Java, e que os Pardais de Java conhecem todos os idiomas. Um pássaro incrível, de fato. Muito culto e educado, com ares de quem tinha muita coisa pra contar sobre a vida. Ele perguntou de onde eu vinha e porque estava sozinha no bosque. Respondi que estava pensando, talvez fugindo. Somente andando, concluí. Eu perguntei o que ele estava fazendo sozinho ali no galho e ele me respondeu que gostava de observar, era um observador por natureza, e que dali de cima podia ver todo o resto do bosque. Ele passava o dia todo, todos os dias, sentado ali no galho, observando o movimento. Que coisa mais estranha para um pássaro fazer, eu pensei. Perguntei se ele não sentia falta de voar. Ele respondeu com uma sonora risada que não, que já havia voado muito durante toda sua vida. Ele era velho, já tinha visto todas as coisas que o mundo tinha para oferecer. Mas sempre voltava para o bosque, porque ali as coisas são tranqüilas e, ainda assim, há muito o que observar. Mas ele também disse que quando sentia falta de bater suas asinhas, viajava um pouco por aí, só como exercício, e aproveitava para fazer suas observâncias.
Eu disse à ele que devia ser uma vida fascinante, com muitas histórias para contar. E ele me respondeu que sim, que seu maior prazer era poder contar tudo o que viu para os outros pardais e para os peixes do rio que passava há alguns quilômetros dali. Eu perguntei se os peixes também falavam, e ele respondeu que alguns são muito falantes, mas cada qual com sua própria língua. Nenhum pássaro podia entender um peixe, a não ser os pardais de Java, muito cultos e conhecedores de todas as línguas. Eu, entusiasmada com tamanha descoberta, sentei-me numa raiz de árvore e suspirei alegremente minha vontade de ser um pardal de Java, para poder conversar com todos os seres. E ele, com um tom sereno, me advertiu que ser um pardal de Java era mais complicado do que parecia. Era uma responsabilidade muito grande, ele disse. Franzi a testa. Ele continuou, dizendo que o idioma é o que une as pessoas. A comunicação é a arma mais poderosa de todos os tempos, e com ela é possível dominar nações inteiras. Afinal de contas, aquela história da Torre de Babel fazia todo o sentido do mundo. Quando as pessoas não se entendiam mais, não conseguiam mais construir algo juntas, seja para o bem, seja para o mau. A comunicação é um grande poder. E todo grande poder traz grandes responsabilidades. Imagine então, disse ele, que responsabilidade temos nós, os pardais de Java. É muita pressão sobre nossas asas, ele suspirou. Tanto é que a maioria dos pardais de Java escondem o fato de poderem compreender qualquer língua. Ou simplesmente tentam ignorar esse fato e isolam-se das outras espécies, na tentativa de esquecer esse dom, transformando-o numa verdadeira maldição. Ele poderia contar mil histórias desses pássaros, todas de suas observâncias pelo mundo. Eu, já bem acomodada na raiz, pedi que ele me contasse uma delas. E então ele me contou essa história que eu vou lhes contar agora.
Disse o pardal que, num lugar distante dali, morava outro pardal de java jovem e feliz que, de tanto conversar com os peixes do lago, acabou se apaixonando por um. “Por um peixe?!” eu ri. O pardal me olhou com os olhos cansados de quem já contara a história muitas vezes, e esboçando no bico algo que eu imaginei ser um sorriso calmo, ele disse: “Você sabe… o amor é ilógico. E se abre para as possibilidades mais improváveis e imprudentes.” Eu compreendi.
Ele prosseguiu contando que, ao procurar o pardal mais velho do bosque, o mais sábio da região, o pardalzinho abriu seu pequenino coração de pássaro. O sábio perguntou: E o peixe também o ama? Ele respondeu que sim, que era tudo o que o peixe lhe dizia até então. E continuou: “Senhor… Um peixe pode amar um pássaro, mas onde eles viveriam?” E o sábio respondeu: “Então acho que está na hora de começar a aprender a nadar, meu pequeno amigo. Não se preocupe com onde viver. O importante é viver. Vocês podem não ter uma casa, mas assim como Deus nos fez pássaros livres para voar, também somos livres para amar. E nossa casa está no coração daqueles que são amados por nós.”
Então o pequeno pardal voou. Viveu, e amou o peixe. Ele se mudou para perto do lago, aprendeu a nadar. Dizem que ele se afogou e morreu. Outros dizem que ele continua lá, feliz com o peixe. Outros dizem que ele voou de volta pra sua casa, em outro bosque. Ninguém sabe ao certo dizer se o pássaro e o peixe viveram juntos, felizes para sempre. É bem provável que não. Mas, certamente, eles viveram.
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Twittercídio [updated]
Eu vou me twittercidar. Não tenho mais tanta paciência para adotar as “modinhas”, nem me desce pela garganta esse negócio de tecnossexual. Já me basta o orkut e o myspace (que vive às moscas). Entrei no Twitter semana passada depois de tanto ouvir falar. Resolvi testar. Não achei muita utilidade. Não mudou minha vida. Só gastei mais tempo ocioso na frente do computador. Portanto, conforme preveu texto no blog do Pava, já que daqui um tempo as massas invadirão o Twitter, tornando-o tão cafona quanto o orkut e levando os “cults” a abandonarem seus perfis, eu vou me adiantar. Não me “orkuticidei” até hoje, mas isso é porque o orkut me é útil. No Twitter não achei nem sequer meia dúzia dos meus amigos. Pelo visto eles não são do meio “cult”. E agora, tão à frente do tempo, me tornarei o ser mais cult do meu círculo de convívio. Pra mim, Twitter is so last week.
[update] Eu sei que eu disse que ia me twittercidar. Mas não rolou. Quando fui desativar a conta, a função estava fora de funcionamento. Então, depois de 2 dias de espera, comecei a entender melhor o Twitter. O Twitter não é um Orkut. Não é um Myspace, nem um Facebook. A grande diferença é que no Orkut e afins você tem amigos. No Twitter você tem seguidores. Seguidores! Descobri que da noite pro dia eu tinha 6 seguidores. Atualmente tenho 5. Somente 2 que realmente me conhecem. Aparentemente, o sexto seguidor não me achou uma pessoa interessante o suficiente de se seguir e pulou fora. Bom, mas ainda tenho 5 seguidores! Quem precisa de amigos numa rede em que se pode ter seguidores? hehehe… Brincadeiras à parte, o Twitter tem seu charme bizarro. Enquanto ainda não vira passado cult jogado às massas, eu vou me divertir. A gente se vê lá. Como diria o Chapolin Colorado, sigam-me os bons!
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Geração bunda-mole
― O mover de Deus está aqui. Nada pode impedir você de sentir o fluir e o derramar da unção. Olhe para o irmão do seu lado e diga: “Resisti ao frio e ele fugirá de vós”.
Participar dos cultos em determinadas igrejas é um programa que exige alto grau de paciência e resignação, qualquer que seja a estação do ano. Raras comunidades mantêm-se imunes aos maneirismos e frivolidades do dialeto gospel no “momento da adoração”.
Outro expediente infalível para provocar bocejos é o recorrente saudosismo dos “bons tempos” da música cristã. Em todos os lugares, há tiozinhos de barriga protuberante repetindo que “naquela época o louvor era genuíno, sem a superficialidade de hoje”. Zzzzzz…
O que existe no hiato entre o discurso seboso que enaltece a década de 70 e essa geração que introduziu mantras e lamúrias no louvor? O expediente de encontrar culpados para eximir nossa própria culpa é de pouca valia na hora da reflexão. Se os heróis do Cazuza “morreram de overdose”, ainda mais complicada é a situação de quem encontra escassos referenciais para pautar seus sonhos.
Ignorados ou tratados como imbecis pelo meio editorial, os jovens encontraram na internet alguns expedientes para suprir essa “orfandade”. Na declinante indústria fonográfica gospel, poucos sobrevivem aos 15 minutos de fama preconizados por Andy Warhol. Mesmo assim, a aspiração ao estrelato consome a energia e o tempo de milhares de “levitas”. Claro que devidamente camuflada sob o discurso de “Deus me chamou para evangelizar através da música”. Infelizmente, poucos são vocacionados para interagir nas universidades e nos pólos culturais.
Em consonância com a poesia de Gilberto Gil, a alma de boa parte dos que pululam nos palcos musicais eclesiásticos “cheira a talco”. Necessário lembrar o outro adágio que apregoa não ser nada confiável o bumbum dos bebês. A alternância de odores sinaliza que é hora de trocar as fraldas e fazer a devida assepsia.
Líderes de todo o país sofrem nas mãos do que convencionou-se chamar de “sensibilidade dos músicos”, eufemismo para escamotear a constante contrariedade a qualquer tipo de ingerência. Se um número especial da galera é cancelado, imediatamente o grupo é banhado pela “unção do beicinho”. Fraldas cheias de novo.
Pressionados pela concorrência do vestibular e pela conquista ainda mais difícil de uma vaga no mercado de trabalho, muitos sucumbem à indolência macunaímica. Os males do sedentarismo são bem conhecidos. Desnudar a juventude evangélica de hoje revela as nádegas flácidas de uma geração que parece ter saído do nada e caminhar para o lugar nenhum. Ao contrário do filho pródigo da parábola, a herança que os jovens receberam da geração que os antecedeu não foi suficiente para grandes viagens. Em todos os sentidos.
Blaise Pascal falava em duas alternativas: desistência por meio da covardia ou o escape, por intermédio do orgulho. Será que não há luz divina no fim desse túnel?
“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”, dizia o Che Guevara. Será que depois das gerações hippie e Coca-Cola teremos a geração H2OH, cujo conflito de “identidade” a confina em uma zona indefinida entre ser água ou refrigerante?
O conselho de Nelson Rodrigues é bem conhecido: “Jovens, envelheçam”. Minha recomendação é assaz diferente: rebelem-se. É hora de assestar contra a mediocridade reinante no meio do rebanho, contra a lassidão intelectual, contra as cassandras transmissoras do germe da culpa, contra o abuso de líderes tiranos, contra a indigência artística e até contra minhas diatribes.
Dono de lentes argutas e dramáticas para observar o mundo, Caio Fernando Abreu registrou um laivo de esperança que, a despeito de tudo e de todos, joga para escanteio minha angustiante sensação de impotência. “Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo.”
Texto escrito por Pavarine, publicado na coluna PavaZine# da revista CristianimoHoje.
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