Girassol (Se for para ser feliz)

Se for para ser feliz
que seja agora o meu sim
para esta condição
Sem olhar para frente ou para trás
Sem pensar no amanhã
Sem chorar pelo que passou
Olhos fixos no céu
Sem insistir no “se”
Sem ansear pelo que comer ou vestir
Confiante que alguém maior cuida de mim
Se for para ser feliz
que eu comece pela manhã
E que eu seja como o girassol
que se guia pela luz
sem hesitar em prosseguir
por onde o sol com cuidado o conduz
Se for para ser feliz
que não se finde ao entardecer
Mas quando anoitecer
que me venha ao coração
a doce lembrança de que
mesmo quando o choro vem
a tua alegria me encontrará pela manhã
Seja Deus o sol no meu viver
E que o Teu calor venha me inundar
Guardando ao coração
que se é para ser feliz
a única opção é a Ti seguir
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A seu tempo

O tempo que não pára, não perdoa, não volta atrás
O tempo que desgasta a cor,
que afrouxa o nó e que o pó alastra
É o mesmo tempo que esvanece a dor,
cicatriza o corte, recompõe a alma.
É o tempo que dá voltas,
e em seu giro conta as horas para cada ocasião,
certa ao coração do Pai.
Porque tudo faz a seu tempo
e em seu tempo há o alento
de que tudo está em seu lugar.
Porque não há botão de flor
que debaixo desse céu
em hora errada venha a desabrochar.
Seja a vida, seja a morte,
a semente ou a colheita,
Seja o luto ou seja a cura,
que se derrube ou se construa
seja lágrima, seja o riso,
que se dance ou se chore,
seja mesmo o abraço contido
ou abraço que se demore.
Seja o rasgo ou remendo,
O silêncio ou a palavra
Seja amor ou desamor
Seja luta ou seja paz
Tudo a seu tempo se revela
a perfeita vontade do Pai.
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Pedaços
Eu quero encontrar
mais pedacinhos de mim
Escondidos em você
Como um beijo escrito
num pedaço de papel
Eu quero te achar escondido entre uma foto e o som
Dizendo insano relatos de amor
Cantando memórias de mim e o que sou
Dobrados em quatro
Tons de preto e azul
Escondidos, ansiosos
Entre meias, gavetas
Palavras inteiras
Pedaços de mim
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Ser simples

Eu quero ser simples
como um sorriso
E com simplicidade
quero sorrir
Quero viver uma vida simples
E com simplicidade demonstrar
que se pode viver
a complexidade do amor de Cristo
Eu quero a simplicidade da pomba
E que meu andar seja simples
E meu voar seja eterno
Eu quero ser simples
De agir simples
Mas que na minha simplicidade
se possa entender a profundidade
do amor de Cristo
E que meu falar seja simples
como as notas da cantiga de criança
E meu cantar fale de coisas simples como amar
Eu quero ser simples
como uma explicação
E que o amor seja a solução
para a equação difícil de entender
Que eu seja simples
Sem complicar
Como um sorriso
Simples
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De cor(ação)
Aquele que sabe de cor
O meu coração
E de coração enxerga a cor,
a forma e o som
de um pensamento meu
E conhece em mim
o que a mim é desconhecido
Sabe de cor o que sou,
o que fui e vou ser
Este meu falso pisar
já lhe era sabido
antes mesmo da vida
nos pulmões me soprar
E ainda me ama
E ainda me cuida
Sempre de coração.
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Permita-se (na TPM)

A TPM ataca a mulherada pelo mundo afora somente uma vez ao mês, mas essa uma vez já é suficiente para causar bastante estrago. E isso eu digo por experiência própria. Com o passar dos anos, aprendi a me permitir algumas ações e prazeres amenizadores de toda essa tensão. Segue abaixo a lista e veja se algum dos itens pode ser aplicado ao seu caso.
1. Eu me permito dormir mais. Se eu puder, claro. Mas tentar dormir mais cedo já ajuda muito. Dormindo pouco, fico mais mal-humorada. Já fico mal-humorada naturalmente com TPM, imagine se eu subtrair horas de sono da lista? É desastre na certa.
2. Eu me permito comer aquilo dá vontade. De fato, isso é péssimo e sabota qualquer dieta. Mas, veja bem, com hormônio e TPM não se brinca. Deu vontade, mate-a rapidamente, para que ela possa desaparecer da cabeça. Não precisa ser aquela extrapolada culinária também. Me permito comer 1 triângulo de toblerone (que é uma coisa absurdamente calórica inventada pelo capeta), por exemplo, assim eu não corro o risco de sair cometendo homicídios dolosos por aí. Algumas calorias a mais fazem valer a pena.
3. Eu me permito chorar. Essa é muito importante. Durante a TPM, é normal ficar super sensível e vulnerável. É normal assistir propaganda da Qualy e ficar com vontade de chorar. Caso você fique segurando demais esse ímpeto, é capaz de ir ficando cada vez mais sensível até que alguém solte uma frase do tipo “Você não devia comer isso” e aí já era: o chororô vai durar uma noite. Para evitar desgastes emocionais com as pessoas ao meu redor, eu me permito chorar em coisas menos importantes, como filmes bem água com açúcar ou com algum apelo emocional, até que passe aquele ímpeto de sensibilidade e eu consiga manter novamente uma conversa civilizada. Chorar durante o filme pode ser a solução para os seus problemas, acredite em mim.
Esses são alguns dos meus itens. E você, tem algum ritual tepeêmico que te ajuda a não se transformar no incrível hulk?
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Cego?
El amor, a quien pintan ciego, es vidente y perspicaz porque el amante ve cosas que el indiferente no ve y por eso ama.
José Ortega y Gasset
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Sobre meninas e casas
Eu tenho uma irmã mais nova que sabe bastante de mim. Mais do que muitas vezes eu gostaria. E às vezes menos. Mas na maioria das vezes ela sabe bem. Coisa de meninas de idade próxima. Coisa de irmãs próximas também.
Como uma futura psicóloga, ela adora me fazer de cobaia para seus testes e análises (o que eu acredito não ser muito bem visto, já que ela é minha irmã e um psicólogo não pode tratar amigos e familiares). Mas é tudo muito sem compromisso, e eu confesso que esse negócio de se auto-conhecer melhor através de análise muito me atrai.
Então minha irmã disse que iria fazer um teste novo comigo, no qual ela analisaria desenhos meus. Eu topei. Desenhar é comigo.
Primeiro, instruções bem precisas: desenhe uma casa, da forma que lhe aprouver. Pensei por uns momentos numa casa que valeria a pena desenhar. Pensei numa foto que vi numa revista de decoração e construção uma vez e revivi a sensação de desejar uma igual. Revivi a sensação gostosa de quem sonha em construir não só uma casa, mas um futuro. A partir desse pensamento, que não durou mais que uma fração de segundo, eu já sabia que iria desenhar a casa onde eu gostaria de morar. Comecei pela rua, o asfalto e suas faixas amarelas. O canteiro na calçada onde ficava um ipê cor-de-rosa vibrante. E uma casinha de dois andares, geminada e com tijolinhos à vista, começou a surgir no traçado. Janelas grandes e de vidro, com cortinas azuis e uma imponente porta vermelha. Só me esqueci da garagem. Bem, mas já que estamos falando de uma casa idealizada, creio poder assumir que o transporte público era o ideal também. Portanto, esqueçamos o carro e a garagem.
Engraçado é que o objeto desenho é sempre você, independente do teste. Eu sou minha casa. E mais: sou a casa do meu futuro, o que seria um traço de ansiedade. Verdade, admito. Não vou escrever aqui todas as coisas que ela me disse. Acho muito pessoal, até mesmo porque achei que as coisas que ela me disse faziam sentido demais pro meu gosto. Mas é bom entender como tenho construído minha casa. Não pude levar o desenho, então fiquei com vontade de compartilhar em palavras e, assim, construir uma imagem mental novamente da casa. E de mim, claro.
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Que bom chegar ao nosso lugar
Que bom voltar
De novo, encontrar, beijar você, rever você
Risos e abraços sem fim
Dia de sol
Te ver é como um rio no verão, é carnaval
Festa, eterno reveillon
Você me faz tão feliz…
É bom chegar
E ver as nossas coisas no lugar, esse lugar
Estava esperando por nós
Você me faz tão feliz
Que bom voltar
Que bom te ver
Que bom chegar
Ao nosso lugar
Que bom voltar, de Ed Motta
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Sobretudo quando chove

Se apenas uma escolha me restasse,
eu levaria o pôr-do-sol,
ou se uma só herança me bastasse,
um rouxinol
que cantasse a dor das distâncias
e curasse essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.
Se toda a poesia, numa palavra,
eu ficaria com “jardim”
e, um tipo só de arbusto ali se lavra,
o alecrim,
concentrando o cheiro do longe,
acalmando essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.
E chove, e chove, chove sem parar,
enquanto eu canto, canto,
ao te esperar.
Se cada vez que eu penso no teu rosto,
vento virasse um vendaval,
desabaria o céu com muito gosto,
que temporal!
Tormenta no mar da memória,
rimando com essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.
“Sobretudo quando chove”, de Gerson Borges
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