Eu queria poder escrever mais sobre coisas minhas, tão minhas que fossem secretas. Um blog parece a coisa mais secreta do mundo, porque você não vê seus leitores, não sabe nem se realmente existem leitores. É uma sensação de estar falando com as paredes. Eu até que gosto muito dessa sensação… Muitas vezes surge um comentário e você acaba se dando conta de que existe alguém do outro lado da tela brilhante do computador presenciando os seus momentos de verborréia, quando muitas vezes você esquece que isso poderia acontecer.

A sensação de falar para as paredes pode ser muito reconfortante às vezes. Eu mesma aprecio os momentos de solidão. Refletir sobre minha “singularidade” me faz enxergar todo o prazer que ela pode me oferecer. Não que eu seja extremamente anti-social, mas ser somente eu hoje me faz idealizar mais momentos como esse. Ser somente você, preocupar-se somente consigo mesmo, ouvir somente suas próprias palavras ressoando no fundo da mente pode ser meio egoísta e perturbador para muita gente, mas eu tenho minha própria teoria de que talvez (e somente talvez!) Tom Jobim esteja meio equivocado quando disse que fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho. Não que encontrar um par não acrescente nada à vida. Claro que acrescenta. Mas viver sem a suposta metade não é um pesadelo.

Fico pensando na cena perfeita de Jerry Maguire, com um deliciosamente encantador Tom Cruise dizendo “Você me completa” para uma perturbada porém amável Renée Zellweger. Por quê não ser uma pessoa completa por si só? Descobrir-se, preencher-se, realizar-se, rir de si mesma e sorrir para a vida são coisas que dispensam o Tom Cruise e seu chavão piegas. Nada contra o amor, please. Mulheres do mundo, completem-se! Uma vez completas e realizadas, seria legal ter um Tom Cruise no final do dia para trazer mais pluralidade à bittersweet singularidade de nossas vidas. Que paradoxo essa menina que escreve odes ao amor e depois discorre linhas e linhas sobre sua amada singularidade, né? Mas a vida é assim, cheia de paradoxos. E essa é a vantagem de se falar para as paredes. As besteiras que dizemos tornam-se apenas palavras. Nem boas, nem ruins. Nem inteligentes e nem estúpidas. Neutras, até.

Leia a parte 2 aqui.



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