Se apenas uma escolha me restasse,
eu levaria o pôr-do-sol,
ou se uma só herança me bastasse,
um rouxinol
que cantasse a dor das distâncias
e curasse essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.

Se toda a poesia, numa palavra,
eu ficaria com “jardim”
e, um tipo só de arbusto ali se lavra,
o alecrim,
concentrando o cheiro do longe,
acalmando essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.

E chove, e chove, chove sem parar,
enquanto eu canto, canto,
ao te esperar.

Se cada vez que eu penso no teu rosto,
vento virasse um vendaval,
desabaria o céu com muito gosto,
que temporal!
Tormenta no mar da memória,
rimando com essa saudade
a me invadir enquanto eu canto,
sobretudo quando chove.

“Sobretudo quando chove”, de Gerson Borges



One Response to “Sobretudo quando chove”  

  1. 1 Pri

    ô, Mari… Deu até dor no meu coração… Mas agora, a essa hora (são 16: 49), acredito que sua saudade já deve ter sido bem aplacada…

    A saudade de verdade merece muito ser cantada e poetizada, sobretudo quando chove…

    Um abraço e um beijo. Boa estadia em São Paulo…


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