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dead twitter

Eu vou me twittercidar. Não tenho mais tanta paciência para adotar as “modinhas”, nem me desce pela garganta esse negócio de tecnossexual. Já me basta o orkut e o myspace (que vive às moscas). Entrei no Twitter semana passada depois de tanto ouvir falar. Resolvi testar. Não achei muita utilidade. Não mudou minha vida. Só gastei mais tempo ocioso na frente do computador. Portanto, conforme preveu texto no blog do Pava, já que daqui um tempo as massas invadirão o Twitter, tornando-o tão cafona quanto o orkut e levando os “cults” a abandonarem seus perfis, eu vou me adiantar. Não me “orkuticidei” até hoje, mas isso é porque o orkut me é útil. No Twitter não achei nem sequer meia dúzia dos meus amigos. Pelo visto eles não são do meio “cult”. E agora, tão à frente do tempo, me tornarei o ser mais cult do meu círculo de convívio. Pra mim, Twitter is so last week.

[update] Eu sei que eu disse que ia me twittercidar. Mas não rolou. Quando fui desativar a conta, a função estava fora de funcionamento. Então, depois de 2 dias de espera, comecei a entender melhor o Twitter. O Twitter não é um Orkut. Não é um Myspace, nem um Facebook. A grande diferença é que no Orkut e afins você tem amigos. No Twitter você tem seguidores. Seguidores! Descobri que da noite pro dia eu tinha 6 seguidores. Atualmente tenho 5. Somente 2 que realmente me conhecem. Aparentemente, o sexto seguidor não me achou uma pessoa interessante o suficiente de se seguir e pulou fora. Bom, mas ainda tenho 5 seguidores! Quem precisa de amigos numa rede em que se pode ter seguidores? hehehe… Brincadeiras à parte, o Twitter tem seu charme bizarro. Enquanto ainda não vira passado cult jogado às massas, eu vou me divertir. A gente se vê . Como diria o Chapolin Colorado, sigam-me os bons!


― O mover de Deus está aqui. Nada pode impedir você de sentir o fluir e o derramar da unção. Olhe para o irmão do seu lado e diga: “Resisti ao frio e ele fugirá de vós”.

Participar dos cultos em determinadas igrejas é um programa que exige alto grau de paciência e resignação, qualquer que seja a estação do ano. Raras comunidades mantêm-se imunes aos maneirismos e frivolidades do dialeto gospel no “momento da adoração”.

Outro expediente infalível para provocar bocejos é o recorrente saudosismo dos “bons tempos” da música cristã. Em todos os lugares, há tiozinhos de barriga protuberante repetindo que “naquela época o louvor era genuíno, sem a superficialidade de hoje”. Zzzzzz…

O que existe no hiato entre o discurso seboso que enaltece a década de 70 e essa geração que introduziu mantras e lamúrias no louvor? O expediente de encontrar culpados para eximir nossa própria culpa é de pouca valia na hora da reflexão. Se os heróis do Cazuza “morreram de overdose”, ainda mais complicada é a situação de quem encontra escassos referenciais para pautar seus sonhos.

Ignorados ou tratados como imbecis pelo meio editorial, os jovens encontraram na internet alguns expedientes para suprir essa “orfandade”. Na declinante indústria fonográfica gospel, poucos sobrevivem aos 15 minutos de fama preconizados por Andy Warhol. Mesmo assim, a aspiração ao estrelato consome a energia e o tempo de milhares de “levitas”. Claro que devidamente camuflada sob o discurso de “Deus me chamou para evangelizar através da música”. Infelizmente, poucos são vocacionados para interagir nas universidades e nos pólos culturais.

Em consonância com a poesia de Gilberto Gil, a alma de boa parte dos que pululam nos palcos musicais eclesiásticos “cheira a talco”. Necessário lembrar o outro adágio que apregoa não ser nada confiável o bumbum dos bebês. A alternância de odores sinaliza que é hora de trocar as fraldas e fazer a devida assepsia.

Líderes de todo o país sofrem nas mãos do que convencionou-se chamar de “sensibilidade dos músicos”, eufemismo para escamotear a constante contrariedade a qualquer tipo de ingerência. Se um número especial da galera é cancelado, imediatamente o grupo é banhado pela “unção do beicinho”. Fraldas cheias de novo.

Pressionados pela concorrência do vestibular e pela conquista ainda mais difícil de uma vaga no mercado de trabalho, muitos sucumbem à indolência macunaímica. Os males do sedentarismo são bem conhecidos. Desnudar a juventude evangélica de hoje revela as nádegas flácidas de uma geração que parece ter saído do nada e caminhar para o lugar nenhum. Ao contrário do filho pródigo da parábola, a herança que os jovens receberam da geração que os antecedeu não foi suficiente para grandes viagens. Em todos os sentidos.

Blaise Pascal falava em duas alternativas: desistência por meio da covardia ou o escape, por intermédio do orgulho. Será que não há luz divina no fim desse túnel?

“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”, dizia o Che Guevara. Será que depois das gerações hippie e Coca-Cola teremos a geração H2OH, cujo conflito de “identidade” a confina em uma zona indefinida entre ser água ou refrigerante?

O conselho de Nelson Rodrigues é bem conhecido: “Jovens, envelheçam”. Minha recomendação é assaz diferente: rebelem-se. É hora de assestar contra a mediocridade reinante no meio do rebanho, contra a lassidão intelectual, contra as cassandras transmissoras do germe da culpa, contra o abuso de líderes tiranos, contra a indigência artística e até contra minhas diatribes.

Dono de lentes argutas e dramáticas para observar o mundo, Caio Fernando Abreu registrou um laivo de esperança que, a despeito de tudo e de todos, joga para escanteio minha angustiante sensação de impotência. “Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo.”

Texto escrito por Pavarine, publicado na coluna PavaZine# da revista CristianimoHoje.


Valeu

13Jan09

Todo amor que se amou, valeu

Todo amor que nasceu, fez bem

Mesmo quando o bem-me-quer quis mal

Mesmo quando feriu, não foi fatal

Pra que chorar sobre o que se foi

Se a dor que me abraçava o peito

Na manhã sumiu, com o sol se pôs

Se fez novo amor, uma nova cor

Pra aclarar o breu deste peito meu.

Enquanto chorei, morri em mim

Tanto faz, tanto fez se o sonho desfiz

E caí, recaí, recompus, reergui

Pra enxergar que valeu tudo o que senti

Pra me somar, precisei te subtrair

E igualar no fim

Encontrar enfim

O que me faz feliz


“Não existe investimento seguro. Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa, e seu coração certamente vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai se tornar indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa à tragédia, ou pelo menos ao risco de uma tragédia, é a condenação. O único lugar além do Céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.”

C.S. Lewis – “Os quatro amores”


Necessidades

19Nov08

Se eu fosse adepta de resoluções de fim de ano, talvez esse poema fosse um bom modelo pra minha lista. Com sua licença, Drummond.

Poema da necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.


Meninos e meninas, o antigo e eterno conflito. Juro, não me canso dele. Parece que, com o tempo, vou começar a entender melhor como os rapazes funcionam e eles também vão começar a entender como eu funciono, mas… no fim das contas, ao término de cada fase, eu vejo que ainda não decifrei nem metade desse enigma.

Mas eles são engraçados. E, definitivamente, eu devo soar engraçada para o meu respectivo. Sabe, aquele que é a metade da minha laranja? Pois é. Só depois daquelas discussões homéricas em que terminamos os dois em silêncio e fazendo biquinho de raiva é quando eu revejo todas as coisas que dissemos e, claro, rio. Por dentro, pelo menos nos primeiros minutos, pra não quebrar o silêncio sepulcral e perder a razão! :P Hehehe…

O fato é que nós somos muito diferentes, porém somos diferentes de maneiras muito semelhantes. Por exemplo, homens são obcecados por carros. Sabe-se lá Deus o motivo, razão ou circustância. O salão do automóvel é um evento muito importante e, pasmem, divertido para eles. Já as moçoilas tem essa fixação absurda por sapatos (e aqui fica um pouco de mea culpa) que faz com que eles revirem os olhos da mesma forma que nós reviramos os olhos quando eles olham pra um Golf na rua e suspiram. Quase provoquei uma briga ao dizer que eu achava muito mais bonito e interessante o meu Ford Fiesta do que um Golf. A cara de indignação quando eu calmamente respondi que achava besteira ter um dvd player dentro do carro também perdurou. E quando eu disse que o Golf era horroroso e parecia uma versão do Gol mais ajeitada?! Foi um daqueles momentos em que eu pensei: Calar é ouro.

Não adianta explicar, a lógica de um é sempre a de um e não a de outro. Mas, se pararmos pra pensar, carros e sapatos são ambos “meios de locomoção”, né? É aí que mora a semelhança, apesar de todas as imensas diferenças que nos separam. Por isso, em momentos de discussões homéricas, é melhor deixar o botão compreensão bem ligado.


Porque eu adoro Friends.

Chandler: I think, for us, kissing is pretty much like an opening act, y’know? I mean, it’s like the stand-up comedian you have to sit through before Pink Floyd comes out.
Ross: Yeah, and-and it’s not that we don’t like the comedian, it’s that-that… that’s not… why we bought the ticket.
Chandler: You see, the problem is, though, after the concert’s over, no matter how great the show was, you girls are always looking for the comedian again. Y’know? I mean, we’re in the car, we’re fighting traffic… basically, just trying to stay awake.
Rachel: Yeah, well, word of advice: bring back the comedian. Otherwise next time you’re gonna find yourself sitting at home, listening to that album alone.
Joey: Are we still talking about sex?

E uma tradução pouco à altura (mas eu tentei!)…

Chandler: Eu acho que, pra nós, beijar é basicamente como um show de abertura, sabe? Quer dizer, é como aquele comediante que você tem que assistir antes de começar o show do Pink Floyd.
Ross: É, e-e não é que nós não gostemos do comediante, é que-que…não foi por isso que compramos o ingresso.
Chandler: Sabe, o problema é que, depois que o concerto acabou, não importa o quão maravilhoso tenha sido o show, vocês garotas estão sempre querendo ver o comediante de novo. Sabe? Digo, nós estamos no carro, no meio do trânsito… basicamente, só estamos tentando ficar acordados.
Rachel: É, bem, um conselho: traga de volta o comediante. Caso contrário, da próxima vez você vai ficar sozinho em casa, ouvindo aquele álbum sozinho.
Joey: Nós ainda estamos falando de sexo?


Eterno.

29Set08

“Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil.”

“All that is not eternal is eternally out of date.”

C. S. Lewis


Como a gente consegue ser durão às vezes… Eu, pelo menos, consigo. Meu lado pedregulho vem me recobrir em alguns momentos do dia-a-dia, muitas vezes até como forma de proteção. Não gosto de parecer com a dona de um coração de pedra. Até mesmo porque sou 99% do tempo uma manteiga derretida. Uma vez me disseram que esse papel de durona não combina comigo. Mas fazer o quê se a vida vira e mexe me passa um papel desses para interpretar? Aí eu coloco minha testinha franzida, meus olhos mais arregalados que o normal (é de família…), minha voz mais impostada e meto bronca no que for preciso. Odeio ser a durona. Odeio ser de pedra. Mesmo que a pedra sirva de instrumento para acender o fogo, para cortar a carne, para quebrar o côco. Eu não gosto de ser de pedra. Alguém me arranje o telefone de Pigmaleão, por favor. Que ele faça de mim estátua de pedra com ares de Afrodite. Quem sabe não me transformo numa menina de verdade? Mas eu já sou de verdade, não sou? E sou de carne e osso 99% do tempo. Alguém tranque 1% de mim naquele porão escuro, porque eu quero sentir o sol esquentar a superfície do meu corpo já não mais rochoso, duro, frio. Eu posso sentir um sopro de sensibilidade em meus pulmões magoados por magoar, feridos por ferir, cansados de causarem cansaço. Ser durão é chato. Mais chato ainda quando você não é pedregulho 100% do tempo. Se fosse, não sentiria nunca os efeitos causados ao redor. Ai, esse blog começa a parecer um muro de lamentações… Whatever.


Semanas atrás, me encontrei no seguinte diálogo:

_ Mãe, o Choko vai casar…

_ Hum.

_ É muito estranho, mãe! Ele vai casar, dá pra imaginar? Ele vai casar, aí não vai ser mais o Choko, ele vai ser tipo adulto, sabe?

_ É…

_ Porque ele antes era só o Choko, agora ele vai ser o Choko casado!

_ …

Incríveis as conclusões a que chegamos quando começam a cair as fichas da vida. Num momento você é somente mais um jovem cheio de aspirações, de inspirações, de sonhos, de vontades de mudar o mundo, de rodar o mundo. De repente, você muda metade dos seus conceitos e princípios porque tudo o que realmente importa é transformar o eu em nós. E isso tudo é, de certa forma, muito bonito. Um amigo meu que já é casado disse que envelhecer e transformar-se em adulto é uma coisa muito boa, da qual ele não tem medo algum. Ele disse que quando você começa a envelhecer, alguns conceitos que você tinha quando era jovem começam a perder o valor e a veracidade. E que isso não é necessariamente ruim. Chama-se amadurecer, eu acho. Fato é que, quando você começa a ir demais a casamentos de amigos, você começa a pensar se isso não é um sinal de que a maturidade pode começar a chegar mais perto de você também. Medo?